Atenções voltadas para cenários econômicos de 2022

Defensor das reformas, presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças de Minas Gerais traça um panorama sobre os próximos desafios do País.

Da Redação | 19/11/2021

Com a chegada do fim do ano, profissionais de finanças e instituições financeiras iniciam debates sobre suas expectativas em relação ao desempenho da economia no ano seguinte, apontando as medidas e reformas estruturais necessárias para que o país volte a crescer e apresentar os melhores indicadores sociais e econômicos.

Para 2022 os desafios são grandes. Dados como o crescimento do PIB e a situação do mercado de trabalho e renda sempre geram grande expectativa, pois são fatores determinantes para o bom humor do mercado e bem-estar da população, principalmente em ano de eleições.

Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, o presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças de Minas Gerais (IBEF-MG), Júlio Damião, avalia e traça um panorama da economia brasileira na atualidade e o que podemos esperar para o próximo ano.

É fundamental para o planejamento das empresas uma correta leitura de cenários no Brasil e no mundo. Com relação ao mercado global qual a sua análise sobre o ano de 2022?

Acredito que mesmo não tendo como ator principal a pandemia, teremos um ano extremamente desafiador. Globalmente também teremos a preocupação com inflação. Devido ao covid-19 muitas empresas se adequaram com uma estrutura menor. Há a expectativa de diminuição do consumo, mas com o avanço da vacinação e o cenário de retomada das atividades da economia, temos uma oferta maior que a demanda, que vai impactar nos preços, já estamos observando um grande aumento no custo logístico, de alimentação e commodities, além da preocupação com a energia fruto de um crescimento não planejado pelas empresas como temos visto na questão do gás natural e carvão na China e Índia. Portanto, teremos sim preocupação com a inflação em 2022. Os bancos centrais ainda continuaram a injetar dinheiro na economia até que esta equação oferta x demanda esteja equilibrada. Hoje, os juros no mundo estão negativos, o que incentiva o investimento. Importante acompanhar países e setores que possam mostrar enfraquecimento de investimentos.

Quais são os maiores desafios para a economia brasileira no próximo ano?

Primeiro, teremos as eleições presidenciais, que historicamente sempre trouxeram incertezas no crescimento do Brasil, e nos últimos anos temos observado uma maior polarização. Neste cenário, as empresas não fazem muitos investimentos. Taxa de juros é um fator importante para a economia brasileira, assim como a inflação estavam em queda e agora estamos acompanhando uma alta preocupante. O custo do dinheiro é importante para os investimentos, se tiver muito alto, o dinheiro destinado a construção de fábricas e outros negócios são alocados para o setor financeiro, pois os juros altos compensam o risco do negócio. Ao mesmo tempo, a taxa de juros é importante para manter a inflação, pois regula o poder de compras das famílias e diminui o consumo desacelerando a economia. No Brasil precisamos de um equilíbrio muito delicado. Hoje estamos enxergando um aumento da economia, mas ainda estamos com problemas de consumo e continuamos com alto desemprego. Elevar a taxa de juros sem aumentar os investimentos pode agravar a questão econômica. Outro fator fundamental no Brasil é a cotação do dólar. É certo que o dólar alto favorece as exportações, permitindo com aumento na receita da balança comercial brasileira. Mas não é atraente para a cadeia produtiva, pois as importações de máquinas e equipamentos entre outras itens tecnológicos ficam comprometidos, assim como a margem das empresas que precisam de produtos importados para a produção. O aumento do dólar também tira o poder de compra das famílias.

E as reformas?

O Brasil não pode mais esperar pela reforma Tributária e Administrativa. Temos ainda grandes desafios estruturais pela frente, não podemos mais conviver com o sistema tributário atual, pagamos em média 34% de impostos, um dos mais altos do mundo, além disso, não podemos mais conviver um com o sistema tributário complexo. Interpretar, traduzir e executar as leis tributárias no Brasil é um grande desafio, além dos custos incorridos para este controle, pois as empresas gastam muita mais horas e pessoas para este fim, horas e pessoas que poderiam ser alocadas para gerar valor nas empresas. A reforma administrativa também é fundamental, precisamos entender como o estado pode ser mais eficiente e menos burocrático para entregar à sociedade um serviço de qualidade e que realmente fomente os negócios.

Qual a importância e o papel da área financeira na retomada da economia no pós-pandemia?

A área financeira ganhou muita relevância durante a pandemia, e será de extrema importância na retomada econômica pós-pandemia, os CFOs e toda a estrutura financeira participaram diretamente junto ao CEOs e Conselhos de Administração das empresas na coordenação estratégica durante a crise e continuam na linha de frente nesse momento de retomada.  Alguns pontos são fundamentais nesse momento, como preservar a liquidez das empresas, priorizando os investimentos com maior retorno de caixa no curto prazo. Importante destacar as negociações pontuais com fornecedores para alongar prazos de pagamento, diminuindo a necessidade de caixa (NCG) e principalmente estar pouco alavancado financeiramente, para buscar aumentar o lucro líquido, mantendo a margem operacional.

FOTO / Divulgação JC / IBEF-MG