Amor romântico

Cristina Santos | 12/10/2021

Será que o romantismo, tão valorizado em várias culturas, como também na cultura brasileira, poderia ser a base de sustentação de um relacionamento amoroso? Ser romântico ajuda ou atrapalha na hora de namorar?

Vários estudos já revelaram que o casamento, ou a vida a dois, é um fato que pode gerar felicidade – proporcionando a intimidade e os laços firmes que promovem a saúde e a satisfação geral com a vida. 

Já aconteceram milhares de pesquisas com americanos e europeus que provam que, geralmente, as pessoas casadas, ou que estão em pares, são mais felizes do que os solteiros ou viúvos – ou especialmente em comparação com divorciados ou separados. Mas nessa felicidade toda de casais onde entra o romantismo?

Antes de mais nada, é preciso reconhecer que há tipos diferentes de relacionamentos e compreender as diferenças entre eles. Se deixamos de lado por um instante a questão do casamento, mesmo entre amizades comuns, podemos perceber a existência de tipos diferentes de amizades. 

O fator que sustenta uma amizade verdadeira, porém, é um sentimento de afeto. Se faltar isso, não será possível sustentar uma amizade real. Isso parece óbvio, mas quando a pessoa está enfrentando problemas de relacionamento, pode ser útil dar um passo atrás e refletir qual é a base daquele relacionamento.

Da mesma maneira que uma pessoa pode, em certo sentido, enlouquecer com a força da raiva ou do ódio, também é possível que essa pessoa perca a razão em decorrência da força da paixão ou do desejo. 

Relacionamentos baseados em coisas efêmeras podem ser pouco confiáveis ou ter vida curta, pois essa sensação depois de algum tempo desaparece. Logo, não seria surpresa se esse tipo de relação amorosa começasse a naufragar ou apresentasse dificuldades. 

E a base no romantismo, como fica? 

Na cultura ocidental toda a ideia do romantismo, a ideia de apaixonar-se, de estar profundamente apaixonado pelo parceiro, é vista como algo altamente positivo. Nos filmes, na literatura e na cultura popular há uma espécie de exaltação desse tipo de amor romântico. 

Nessa busca interminável pelo romantismo, pode-se considerar a idealização desse amor romântico como uma manifestação muito extrema ou excessiva. 

Ao contrário dos relacionamentos baseados no afeto verdadeiro e carinhoso, talvez não possamos olhar para esse romantismo excessivo, com olhos muito esperançosos, uma vez que pode ser algo inatingível, baseado na fantasia e na imaginação, podendo chegar a ser fonte de frustração. 

Mas por que o amor romântico é tão sedutor?

A ideia do amor romântico vicejou durante os últimos 200 anos sob a influência do romantismo, movimento que exaltava a intuição, a emoção, o sentimento e a paixão. Salientava a importância do mundo sensorial, a experiência subjetiva e tinha uma inclinação pelo mundo da imaginação, do sonhar, da fantasia, talvez numa busca de um mundo irreal.

No entanto, o elemento mais irresistível desse desejo pelo amor romântico é a sensação do apaixonar-se. Essa fusão com o ser amado quando estamos apaixonados, recria uma sensação mágica de onipotência, como se tudo fosse possível. E uma sensação dessas é difícil de ser superada.

Talvez o melhor para os casais seja compreender que a atração sexual, ou mesmo a forte sensação de apaixonar-se, pode ter seu papel na formação do laço inicial entre duas pessoas, para atraí-las; mas para um relacionamento forte e duradouro, além disso,  é preciso que as qualidades de afeto, amor, compreensão, paixão, respeito, admiração, focar nos pontos positivos de cada um, saber ouvir e envolver-se com genuíno interesse na vida do parceiro façam parte da relação de forma intensa e significativa. 

Mas, acredito, que algumas pitadas de romantismo vão cair muito bem. Como não desejar ou sonhar alguns momentos românticos ao lado de quem amamos?

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