Ajudar faz bem: a importância de gestos solidários

Especialista em terapia cognitivo-comportamental afirma que gestos solidários são importantes para as relações humanas e para transformar uma nação

Da Redação | 14/05/2021

Fazer o bem sem olhar a quem. Empatia e solidariedade contribuem para a saúde mental e emocional, como revelou a Organização Mundial da Saúde (OMS). São várias as formas de oferecer amparo ao próximo e a psicóloga Renata Borja, especialista em terapia cognitivo-comportamental, destrincha nesta entrevista ao JORNAL D CIDADE por que gestos solidários são tão importantes para as relações humanas e para transformar uma nação. 

Por que em momentos desafiadores e delicados como o que atravessamos temos a sensação de que as iniciativas solidárias se multiplicam? 

As pessoas tendem a se solidarizar mais quando as emoções desconfortáveis, como a tristeza e a ansiedade, ficam mais ativadas. Ao assistir no noticiário, por exemplo, a situação de inúmeros brasileiros sem comida, naturalmente o telespectador se coloca naquele lugar. A tristeza gerada provoca empatia, que gera a vontade e a ação de fazer algo pelo próximo para diminuir o sofrimento alheio. Quando utilizamos a solidariedade nos sentimos bem, porque liberamos vários hormônios reguladores de humor, dentre eles, a oxitocina que é um hormônio de prazer, liberado em situações de estresse para pedir ou oferecer ajuda. Dessa forma, a ajuda ao próximo regula a nossa emoção desconfortável que nos ativou, nos fazendo ficar mais equilibrados. 

Por que ajudar faz bem?

Existe uma liberação de oxitocina e vários outros hormônios de regulação emocional quando fazemos o bem. Esses hormônios nos trazem calma, conexão e ajudam a criar e manter laços diante de situações de vulnerabilidade, contribuindo com a sensação de bem-estar. Além disso, saber que está ajudando alguém faz bem para si mesmo, porque nos faz sentir únicos, importantes e úteis. A solidariedade reforça o nosso senso de pertencimento a um grupo, de merecimento de amor e a nossa capacidade. Viktor Frankl, psiquiatra austríaco que viveu em quatro campos de extermínio nazista, defendia que independentemente da situação, há três maneiras de dar sentido à vida: alguém para amar, uma obra a qual se dedicar e exercitar a espiritualidade. De alguma forma, quando estamos bem psiquicamente é porque estamos engajados em alguma causa. Essa obra a que Frankl se refere pode ser uma causa desenvolvida por nós ou uma que a gente se engaje, independentemente se a situação envolve sofrimento e dificuldades. 

O gesto de caridade não depende de recursos financeiros? 

Não, trata-se de uma crença limitante. Durante a Segunda Guerra Mundial, a italiana Chiara Lubich, líder religiosa, se juntou às suas amigas para arrecadar roupas e calçados destinados às pessoas em vulnerabilidade social. Logo, é importante entender que há muitas formas de colaborar com o próximo, tais como mobilizar amigos, familiares, colegas e vizinhos em uma causa; acolher o outro em situações dramáticas; doar seu tempo e sua escuta ativa; aplicar seu conhecimento e suas habilidades em algum trabalho social. Para ajudar, basta querer.

Você considera um dever de todos dar a sua contribuição, ajudar de alguma forma o outro?

Acredito que sim. Como cidadãos, podemos dar nossas contribuições para transformar a realidade e crescer como sociedade e nação. Colocar a mão na massa, ajudar ao próximo dentro das suas possibilidades, faz com a gente se sinta ativo, importante e necessário dentro da sociedade. Cada um de nós tem o poder para fazer a diferença na vida do outro com aquilo que pode oferecer.

Foto: Rafaela Lima