Acomodação durante o intercâmbio

É preciso saber antes o que você entende por família, seja ela a tradicional “Doriana” ou não.

Paula Starling | 21/10/2021

Talvez uma das perguntas que mais escuto durante um atendimento seja: qual a melhor acomodação? Morar em casa de família ou residência estudantil?

Primeiramente precisamos esquecer que existe “o que é melhor”. A pergunta certa seria “o que é melhor para mim, para meu momento, minhas expectativas, e até mesmo para meu bolso.

É preciso também saber o que você entende por “família”. Quando chegamos neste ponto do atendimento, sempre pergunto para o estudante e também para os pais: o que é família para você(s)? Em 90% das vezes a resposta é sempre a mesma: “ah, pai, mãe, filhos…” Aí brinco: “filho mais velho, depois uma linda menina e claro, um cachorrinho”.

Bem, essa família aí é o que chamo de família Doriana. Os meninos me olham com um ponto de interrogação na cara. Os pais me entendem. Família Doriana ou margarina, aquele estereótipo de família perfeita, de comercial.

Pois bem, venho aqui contar que se você quer realmente fazer intercâmbio em casa de família, a primeira coisa que precisa esquecer é esse conceito ou visão de que família é pai, mãe, filhos, cachorrinho.

Em pleno século XXI precisamos olhar não só para o próprio umbigo, mas principalmente para os lados, e só assim você vai ver que existem inúmeros formatos de família: casal de idosos sem filhos ou com filhos criados, uma mãe solteira, um pai divorciado, uma mãe com filhos pequenos, com uma filha única, e até mesmo a família Doriana. Você consegue enxergar que uma única pessoa, com a chegada de um intercambista formará uma família? Esse intercambista pode ser você ou seu filho (a).

Quais as suas expectativas com relação a morar com uma família? O que você espera da sua família? A resposta para essas perguntas normalmente é: ah, quero uma família que faça coisas comigo, me leve para passear, viajar, ou que me considere parte da família de verdade.

Bem, estou aqui para contar que não é responsabilidade da família entreter um estudante e será mesmo que você quer ser considerado um membro da família? Com todos os bônus e ônus? Está disposto a frequentar a igreja da família? A participar da arrumação e organização da casa? A respeitar os horários impostos pela família? Mesmo que sejam muito diferentes do que você está acostumado? A provar todas as novas comidas e temperos?

Porque a parte boa é fácil de nos adaptar, mas na hora que nos deparamos com as diferenças, as coisas mudam de figura.

Está preparado para ouvir brigas de um casal, criança chorando e dando birra, pais estressados com filhos no celular? Parece familiar, não é mesmo?

Bem-vindo ao intercâmbio em casa de família. Não é um mundo de fantasia, e sim a vida como ela é, e não necessariamente a vida como você gostaria que ela fosse.

Meu conselho, em vez de ficar imaginando como será a família, se a família vai ser “boa” e etc, comece a pensar: o que eu posso fazer para essa família que vai me acolher, como eu posso fazer para ter uma convivência feliz e harmônica com a minha nova família. Em vez de esperar tanto de uma coisa que você não tem controle, comece a pensar no que você tem controle: que é somente e unicamente de você.

Morar em casa de família pode ser uma das experiências mais ricas, não porque a família o levou para passear ou deixou você fazer tudo o que queria. Mas porque é uma oportunidade maravilhosa e única de conhece-lo melhor, saber dos seus limites, quebrar paradigmas, aprender a ouvir “nãos”, negociar, aprender que a vida nem sempre é justa e, acima de tudo, voltar do seu intercâmbio com a sensação de dever cumprido para com a pessoa mais importante do mundo: você.

Coloque literalmente no papel as suas respostas para as perguntas lá do início, assim você começará a se conhecer um pouco mais e saberá responder o que será bom para você.

Ah! Então morar em residência estudantil deve ser bem melhor?

Bem, essa fica para o próximo mês.

Saiba mais: www.intervip.tur.br

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