A torneira da sintonia

Carlos Malab traz sua coluna para o Cidade Conecta com escritos do livro "Era uma vez para sempre".

Carlos Malab | 16/09/2021

Era domingo e o relógio indicava cinco horas da tarde. Vovó Angel havia pedido a todas as crianças que se reunissem para uma conversa especial com o Sr. Joaquim.

Ela havia prometido trazer o amigo para falar sobre mediunidade. O assunto havia sido comentado em uma das reuniões na casa e todos haviam ficado curiosos.

O Sr. Joaquim era um experiente expositor espírita da cidade e dava apoio às atividades de auxílio na casa de Vovó Angel. As crianças já estavam habituadas a conversar com ele sobre os mais diversos assuntos e o chamavam carinhosamente de Tio Joca.

Estando todas as crianças reunidas, o Sr. Joaquim começou a explanação, dizendo:

– Crianças, vamos falar hoje sobre um tema muito importante para as nossas vidas: mediunidade. A mediunidade é a capacidade que temos de intermediar o mundo espiritual com o nosso mundo.

– Tio Joca – perguntou Cris – o que é intermediar?

– Boa pergunta, Cris! Intermediar é fazer a comunicação entre dois lados. É como se fosse um correio entre duas pessoas que não podem se falar. Um outro exemplo é o do cano que leva a água da caixa d’água até uma torneira. Neste caso, o cano e a torneira são intermediários para que a água possa chegar até nós. Os espíritos utilizam o médium como meio de comunicação. Para haver a comunicação entre o plano espiritual e o plano material é necessário o transporte  da mensagem, que é possível somente se temos sintonia. Ter  sintonia é como comandar a torneira  por onde a água vai passar. O médium tem a capacidade, em diversos graus, do controle do processo de comunicação.

– Tio Joca – interrompeu  Joana – eu já vi um fantasma! Será que eu sou médium?

– Ora, Joana, na verdade você viu um espírito! E a mediunidade que permite vê-los é chamada de clarividência. Quando você o viu estava sendo médium! Podemos dizer que todos nós somos médiuns e que a mediunidade tem muitas variações!

 O Sr. Joaquim parou um instante para verificar como estava a assimilação da explicação e notando o interesse das crianças continuou:

– Além da clarividência, temos outros tipos comuns de manifestação mediúnica, que propiciam a transmissão de mensagens! Como a psicografia, através da escrita, a psicofonia, através da fala, e a intuitiva, onde o médium registra ideias ou pensamentos gerados por influência dos espíritos. A mediunidade de materialização é muito mais rara e é aquela para a qual o médium cede elementos físicos que, em conjunto com outros, reunidos pelos espíritos, propicia a materialização de objetos e dos próprios espíritos!

E emendou:

– Uma coisa muito importante, crianças: só haverá comunicação se a torneira estiver aberta, isto é, se entramos em sintonia com os espíritos!

– Tio Joca, eu acho que o Dimba é médium, – falou Pedrinho – pois parece que ele vê os espíritos! Às vezes, ele late para a parede. Sem motivo!!!

– Pode ser, Pedrinho, pode ser… Alguns animais têm tal capacidade, mas temos que tomar cuidado, pois o Dimba tem uma excelente audição e pode estar reagindo, nesses casos, a um ruído que você não escuta!

O Sr. Joaquim ainda falou por algum tempo sobre mediunidade, dando exemplos práticos e esclarecendo que a realização do médium é ser um instrumento fiel de Deus.

Durante a palestra afetuosa, Vovó Angel permaneceu calada, deixando que o Sr. Joaquim e as crianças ficassem à vontade para estudar o tema. Vinham à sua mente os casos que ocorriam na reunião mediúnica de que participava. Pensava em como a mediunidade era capaz de auxiliar tanto aos homens quanto aos espíritos. Muitas vezes, manifestavam-se almas que desconheciam haver deixado a vida física. O orientador das reuniões, o Sr. Rochedo, pacientemente lhes auxiliava a entender que estavam em uma vida nova. Outras vezes, comunicavam-se espíritos que se sentiam doentes e fracos, e que eram socorridos e levados a hospitais no mundo espiritual.

Após meia hora de estudo esclarecedor, e conforme combinado previamente, Vovó Angel pediu a palavra e agradeceu ao Sr. Joaquim, convidando-o a retornar mais vezes. Pediu a Paula que fizesse a prece.

 E ela orou:

– Senhor Jesus, agradecemos por tudo que aprendemos hoje e pedimos a sua proteção para a nossa casa, para Vovó Angel, para o Tio Joca, e para todos nós! Auxilie-nos, Senhor, a praticar o bem e a estar sempre com os bons espíritos. Obrigada, e que assim seja!

Vovó Angel despediu-se do Sr. Joaquim e ficou meditando sobre os ensinos do espírito André Luiz: “Mediunidade elevada ou percepção edificante não constituem atividades mecânicas da personalidade e sim conquistas do espírito”. (1)

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(1) Nota do médium: a referida citação encontra-se à página 33, do Capítulo 3, da 11ª edição do livro Missionários da Luz, psicografado em 1945 por Chico Xavier, ditado pelo espírito André Luiz. Obra editada pela Federação Espírita Brasileira (FEB), Rio de Janeiro.

Fonte: MALAB, Carlos Henrique da Silva. Era uma vez para sempre. Pelo espírito Blandina. Belo Horizonte: Vinha de Luz Editora, 2007. p. 45-50.

Ilustração: acervo iconográfico da Vinha de Luz Editora da Casa de Chico Xavier de Pedro Leopoldo.

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