A importância da individualização no tratamento da infertilidade

Para o médico, observar as características únicas de cada casal promove a escolha de procedimentos personalizados e mais eficazes.

Da Redação | 10/09/2021

Os fatores de infertilidade de um casal podem ser igualmente femininos ou masculinos. Dessa forma, as características de cada par são únicas. O médico ginecologista e diretor da Clínica Origen de Medicina Reprodutiva, Marcos Sampaio, explica que, em cada pessoa o problema é causado por uma condição e, ainda que algumas sejam mais prevalentes, como é o caso da endometriose, a maneira como elas interferem no sistema reprodutor também sofre variações de indivíduo para indivíduo. 

Nesta entrevista ao Cidade Conecta, ele ressalta que cada pessoa possui características únicas, tanto de saúde em geral quanto de estilo de vida. “O que impacta não apenas a fertilidade, mas também a forma de tratar os problemas que a afetam”, afirma.

O que é a individualização do tratamento?

Significa adequá-lo às características de um casal ou de uma pessoa, personalizando-o. Para desenvolver um plano de tratamento personalizado, o especialista em reprodução assistida considera alguns fatores, como as tentativas de engravidar, levando em consideração o tempo e o resultado de tentativas anteriores. É importante considerar, também, a idade e urgência para conceber, visto que essas são informações fundamentais na definição da técnica mais adequada para cada paciente e o planejamento das etapas necessárias ao tratamento. O histórico clínico de cada paciente, contendo informações sobre doenças ou cirurgias, incidência de infecções sexualmente transmissíveis (IST) e hábitos diários, também é observado, além de exames de fertilidade e possíveis tratamentos anteriores.

Como é feita a indicação das técnicas de reprodução assistida?

As técnicas de reprodução assistida são consideradas o tratamento padrão para infertilidade e possibilitam a gravidez, com percentuais expressivos de sucesso, quando a infertilidade é provocada por fatores de menor ou maior gravidade. A definição da mais adequada para cada paciente é feita durante a elaboração do plano de tratamento.

Existem pelo menos três principais técnicas de reprodução assistida. É possível explicar cada uma delas e suas respectivas características?

A Relação Sexual Programada (RSP) é considerada uma técnica de baixa complexidade e é a mais indicada para mulheres com até 35 anos, com boa reserva ovariana e as tubas uterinas pérvias, distúrbios de ovulação (causa mais comum de infertilidade feminina), endometriose nos estágios iniciais ou se o diagnóstico for de infertilidade sem causa aparente (ISCA), assim definido quando os exames falham em identificar a causa. A Inseminação Artificial é também considerada de baixa complexidade, pois a fecundação acontece naturalmente, nas tubas uterinas. Portanto, é mais adequado para mulheres com até 35 anos e as tubas uterinas saudáveis. Essa técnica é indicada para os casos de fator masculino leve ou moderado em mulheres jovens com as trompas pérvias. Como a fecundação acontece naturalmente nas duas técnicas, os percentuais de sucesso são semelhantes aos da gestação espontânea: entre 15% e 20% por ciclo de tratamento. Já a fertilização in vitro (FIV) é uma técnica de maior complexidade: prevê a fecundação de forma artificial, em laboratório. Assim, é mais indicada para mulheres com obstruções nas tubas uterinas (segunda causa mais comum de infertilidade feminina), endometriose, falhas de tratamentos anteriores, idade avançada, longo tempo de infertilidade e se houver fatores mais graves de infertilidade masculina.

Qual é o método mais adotado e/ou mais procurado pelos pacientes?

Atualmente, o método mais adotado pelas clínicas de reprodução assistida é a FIV com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides), incorporada ao tratamento na década de 1990, quando possibilitou a solução dos problemas de infertilidade masculina de maior gravidade. Os percentuais de sucesso registrados pela técnica são os mais altos da reprodução assistida, chegando a uma média de 50% por ciclo.

FOTO / Divulgação JC / Clínica Origen