A hora e a vez das startups brasileiras

CEO do BMG UpTech acredita que a transformação digital contribuiu para o recorde de investimentos em inovação, com projeções ainda melhores para 2021

Da Redação | 30/04/2021

Criatividade e disrupção, certamente, foram algumas das palavras mais faladas no ano passado. Se, por um lado, o avanço de uma pandemia provocou diversos prejuízos para empresas em todo o mundo, além da crise de saúde, por outro, deu ênfase à importância da verdadeira transformação digital e potencializou a visibilidade das startups brasileiras. Não é à toa que elas encerraram 2020 com recorde de captação de investimentos: US$ 3,5 bilhões, de acordo com os dados do relatório Inside Venture Capital Brasil, divulgado pelo Distrito Dataminer, unidade de inteligência no mercado de open innovation.

Uma das principais explicações para esse desempenho, na avaliação do CEO do BMG UpTech, Rodolfo Santos, é o fato de a maioria das grandes corporações ter entendido que a inovação é fundamental para continuarem competitivas e, portanto, precisa estar inserida aos seus processos e à sua cultura. “Também demonstra a boa performance das startups em momentos de crise – são mais resilientes, se reinventam de forma ágil e, no cenário de incertezas, ofereceram, com rapidez, inúmeras soluções criativas para reduzir os impactos negativos”, destaca. Dessa forma, as projeções para 2021 são ainda mais animadoras, conforme argumenta o executivo, na entrevista a seguir.

Podemos dizer que o ano de 2020 ficou marcado por uma mudança na mentalidade da maioria dos empresários da chamada economia tradicional? 

Acredito que sim. Em função da pandemia e seus reflexos, como a necessidade de isolamento social, as grandes empresas foram forçadas a se inserir, efetivamente, nessa “nova economia” e a buscar escalar seus negócios. Isso significa entender que não basta ter um e-commerce ou estar presente nas redes sociais para ser digital e, muito menos, disruptiva. A urgência por adaptações evidenciou que a inovação é uma necessidade permanente e precisa estar inserida na cultura organizacional, envolvendo a produção e os processos. Antes, praticamente apenas as companhias mais visionárias tinham essa percepção e investiam para digitalizar suas operações. Agora, ficou claro que todas precisam ter um olhar mais atento aos novos modelos de negócios e, consequentemente, aos investimentos direcionados a soluções que envolvam base tecnológica. 

As startups brasileiras alcançaram recorde em captação de investimentos em 2020, de acordo com o relatório Inside Venture Capital Brasil. Esse movimento – estrutural e cultural – observado nas empresas pode explicar esse excelente desempenho?

Certamente, esse é um dos principais fatores. O setor somou US$ 3,5 bilhões em aportes, uma alta de 17% em relação aos US$ 2,97 bilhões de 2019, impulsionado pela alta demanda por ferramentas digitais. Os investimentos no ecossistema de inovação vinham ganhando força gradativamente. Para ter uma ideia, há cerca de quatro anos, havia poucos investidores nos estágios pré-seed e seed no Brasil, por exemplo, e pouquíssimas grandes empresas tinham abertura para se relacionar com startups. Já entre 2018 e 2019, os aportes em startups saltaram de US$ 1,9 bilhão para US$ 4,6 bilhões na América Latina. Naturalmente, o entusiasmo diminuiu no início de 2020, com a crise provocada pelo coronavírus, mas logo o apetite dos investidores voltou, principalmente devido às oportunidades apresentadas pelos empreendedores. 

Por que as startups, na contramão de grande parte das empresas de todo o mundo, se destacaram tanto, em um contexto de crise e desafios?

Os números de 2020 demonstram a boa performance das startups em momentos de crise – são mais resilientes, se reinventam de forma ágil e, no atual cenário de incertezas, ofereceram, com rapidez, inúmeras soluções criativas para reduzir os impactos negativos. Ficou claro que as startups, acostumadas a conexões, integrações e adequações ao mercado, não param de oferecer ferramentas para o enfrentamento dos desafios e a conquista dos resultados estratégicos, nos mais variados setores. Para os investidores, também são uma opção interessante em relação às atuais taxas de juros, que estão no menor nível da história. Por tudo isso, as projeções para 2021 são ainda mais animadoras, o volume de investimentos em satartups no Brasil superou US$ 630 milhões o que representa 18% do total investido em 2020  e os resultados de crescimento, provavelmente, vão superar 2020. 

Diante desse panorama, é hora de as empresas brasileiras efetivamente consolidarem a transformação digital internamente. Como fazer isso? Como se relacionar com startups, seja para investir em ferramentas, seja para atuar em parceria?

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a transformação digital precisa ser um processo em conformidade com as características e o DNA de cada negócio. A partir daí, o caminho é buscar conhecimento e informações para entender melhor esse ecossistema e todas as possibilidades que ele oferece. Procurar apoio para encontrar as melhores opções, desenvolver projetos e até mesmo parcerias para investir. Potencial para ser explorado não falta. Então, é hora de apurar o olhar empreendedor para as startups e acompanhar de perto as tendências e oportunidades. 

Foto: Filipe Abras

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