39º Artigo de Martins Peralva

“E agora, por que te deténs?” — Atos.

Da Redação | 05/08/2021

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O Cidade Conecta preparou lançamentos, periódicos, de artigos do escritor, expositor e articulista José Martins Peralva Sobrinho, ou simplesmente Martins Peralva, como era conhecido. Ele, que foi um dos grandes representantes do movimento espírita no Brasil, escreveu os seguintes livros: “Estudando a mediunidade”, “Estudando o Evangelho”, “O Pensamento de Emmanuel”, “Mediunidade e evolução”, editados pela Federação Espírita Brasileira (FEB), e “Mensageiros do bem”, editado pela UEM.

Os artigos publicados fazem parte do livro “Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito”. Trata-se uma coletânea de textos disponibilizados nos jornais “O Luzeiro”, periódico de sua terra natal, Sergipe, “Síntese” e “Estado de Minas”, ambos de Minas Gerais, e na revista “Reformador” da FEB. Geraldo Lemos Neto, responsável pelo Vinha de Luz — Serviço Editorial, foi quem coletou o material com a família Peralva, para que a comunidade espírita tivesse a oportunidade de conhecer mais de perto Martins Peralva.

Os melhores frutos

Agosto | 1959

“E agora, por que te deténs?” — Atos

Segundo as anotações de Lucas, em Atos dos Apóstolos, o bondoso velhinho Ananias, depois de restabelecer, em Damasco, a visão física de Saulo, perguntou-lhe: “E agora, por que te deténs?”

Semelhante interpelação pode ser comparada à advertência de Jesus a Publius Lentulus, o nobre senador romano: “Soou para teu espírito, neste momento, um minuto glorioso, se conseguires utilizar tua liberdade para que seja ele, em teu coração, doravante, um cântico de amor, de humildade e de fé”.

Toda vez que, no sofrimento ou pela compreensão, acordamos para as realidades espirituais, há sempre, da parte do céu, indagações ou advertências que induzem à responsabilidade individual, ao trabalho e ao progresso. O coração leal e generoso de Publius Lentulus recebeu ainda do Mestre a incisiva advertência: “Ninguém poderá agir contra a tua própria consciência, se quiseres desprezar, indefinidamente, este minuto ditoso”.

O voluntarioso Saulo ouviu, por sua vez, de Ananias, indagação não menos incisiva: “E agora, por que te deténs?” ou, segundo outras traduções, “E agora, por que te demoras?”

Tempos depois, transformado para a luz do Evangelho, renascido para as claridades da Boa Nova, o extraordinário bandeirante oferecia, à humanidade, eloquente testemunho de que o apelo de Ananias ressoara, proveitosamente, no seu mundo consciencial, já exaustivamente trabalhado no trato constante com as Escrituras. O futuro mostraria, igualmente, o antigo senador romano realizando magnífica obra de universalização do Evangelho.

Saulo e Publius Lentulus — almas leais, sinceras e no íntimo profundamente generosas — deixaram que o orvalho da renovação com Jesus perfumasse, em definitivo, a nobre sementeira de suas almas, favorecendo, pela conduta firme e inabalável, a consolidação do idealismo e do conhecimento superior, elegendo, ambos, por fim — PAULO DE TARSO e EMMANUEL — o apostolado evangélico por sublime e permanente roteiro.

Se Paulo é um símbolo inconfundível do passado, Emmanuel é uma realidade do presente, que ouvimos, sentimos e respeitamos. Diretos ou não, ostensivos ou velados, os convites e as advertências continuam a descer para os homens em porções relativas às necessidades de cada aprendiz, concitando-nos à arregimentação dos recursos da boa vontade, a fim de que superemos atitudes, hábitos e ideais profundamente enraizados.

Representado por admiráveis mensageiros, o Mestre convoca-nos a todos para o mais importante e transcendental problema do ser consciente: o crescimento moral e espiritual, através do entendimento e da efetiva assimilação dos preceitos do Evangelho. Tais chamados surgem, via de regra, em forma de símbolos, que o homem às vezes não entende:
— na enfermidade prolongada,
— na provação dolorosa,
— nas aflições demoradas,
— na pobreza excessiva,
— nas melhores esperanças que se estiolam.
Em qualquer experiência penosa pode estar, simbolicamente, a indagação de Ananias: “E agora, por que te deténs?”, ou na advertência de Jesus a Públius Lentulus, relativa ao ditoso minuto do maravilhoso encontro em poético sítio palestinense.

Os melhores e mais belos frutos da vida são reservados àqueles que conseguem enxergar, em todos os acontecimentos, preciosas lições. Lições que induzam o espírito ao despertamento legítimo, a fim de que, sem nos determos, o progresso real se efetive, sob as bênçãos de Jesus, assegurando-nos a felicidade na Terra e no Espaço.

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Fonte: PERALVA SOBRINHO, José Martins; PERALVA, Basílio (Org.). Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito. Belo Horizonte: Vinha de Luz Editora, 2009. p. 120-122.
Nota da Editora: Reformador, agosto de 1959, p. 179. Reformador é uma revista de divulgação da Doutrina Espírita, editada mensalmente pela Federação Espírita Brasileira (FEB). É uma das mais antigas publicações de seu gênero, em circulação no Brasil (desde 1883, no formato original de jornal). Com a fundação da FEB, em 1884, o periódico foi por ela incorporado, passando a ser o seu principal órgão de divulgação, voltado para a difusão de artigos doutrinários, fatos e trabalhos desenvolvidos pela entidade, assim como pelas entidades afiliadas em todo o país. In: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Reformador>. Acesso em: 12 nov 2009.

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