36º Artigo de Martins Peralva

“Não depende do que temos, mas do que somos e do que fazemos.”

Da Redação | 14/07/2021

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Artigo. O Cidade Conecta preparou lançamentos, periódicos, de artigos do escritor, expositor e articulista José Martins Peralva Sobrinho, ou simplesmente Martins Peralva, como era conhecido. Ele, que foi um dos grandes representantes do movimento espírita no Brasil, escreveu os seguintes livros: “Estudando a mediunidade”, “Estudando o Evangelho”, “O Pensamento de Emmanuel”, “Mediunidade e evolução”, editados pela Federação Espírita Brasileira (FEB), e “Mensageiros do bem”, editado pela UEM.

Os artigos publicados fazem parte do livro “Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito”. Trata-se uma coletânea de textos disponibilizados nos jornais “O Luzeiro”, periódico de sua terra natal, Sergipe, “Síntese” e “Estado de Minas”, ambos de Minas Gerais, e na revista “Reformador” da FEB. Geraldo Lemos Neto, responsável pelo Vinha de Luz — Serviço Editorial, foi quem coletou o material com a família Peralva, para que a comunidade espírita tivesse a oportunidade de conhecer mais de perto Martins Peralva.

A caminho do céu

Março | 1959

“Não depende do que temos, mas do que somos e do que fazemos.”

Estava Jesus sentado no templo, junto à arca do tesouro, quando uma pobre viúva se aproximou e, humildemente, colocou duas pequenas moedas no gazofilácio. O episódio teria passado despercebido se o Mestre não tivesse despertado a curiosidade dos discípulos com a afirmativa de que aquela dádiva fora bem maior que a de todos quantos, afortunados do mundo, ali haviam deixado moedas de grande valor.

A surpresa dos amados companheiros do Mestre foi, sem dúvida, muito grande. Que estranha aritmética era aquela do Senhor? Num átimo raciocinavam e, mentalmente, confabulavam entre si: “Como era possível que as grandes somas e caríssimas joias depositadas por comerciantes opulentos valessem menos que duas insignificantes moedas deixadas por aquela mulher anônima, mal vestida, trazendo nos ombros um xale desbotado e roto?” Olhos arregalados, como ocorria toda vez que Jesus ministrava ensinamento oculto no simbolismo das imagens, os discípulos esperavam.

Jesus não compareceu ao mundo para discutir, nem para impor suas ideias. O amoroso Espírito desceu à sombria paisagem terrestre para levantar o ânimo dos necessitados e oprimidos, fazendo-os sentir e compreender que a conquista dos bens celestes, dos bens do Infinito, não se condicionará, jamais, à posse de tesouros e bens perecíveis. Se é verdade que os bens da Terra, aplicados a benefício de todos, asseguram créditos espirituais aos que deles se despojam, generosa e fraternalmente, é imprescindível, contudo, que a referência do Cristo, contida no episódio do óbolo da viúva pobre, seja colocada em seus justos termos.

Toda dádiva que procede do coração tem mérito espiritual. O rico bondoso que veste o necessitado e alimenta o faminto equipara-se, sem dúvida, ao pobre que estende a misericórdia da palavra e do estímulo, da fé e da esperança, aos companheiros de jornada. Quem dá o que pode merece o salário da paz — asseguram, com sabedoria, os instrutores espirituais. A viúva da anotação evangélica não possuía tesouros materiais, porém tinha a riqueza da fé e da sinceridade. As duas moedas colocadas no gazofilácio não desceram sozinhas ao cofre do tradicional templo da velha Jerusalém: com elas foram o coração e a renúncia da pobre mulher. Foi uma dádiva que, efetivamente, saiu do coração. Jesus assim a viu, assim a sentiu, através da vibração amorosa, do agradável magnetismo de que se aureolava sua fronte enrugada de mulher possivelmente sofredora.

Não devemos nem podemos aguardar as moedas de ouro do mundo para que possamos ajudar aos desafortunados. De bolsos vazios e trajes humildes, podemos socorrer em nome da fraternidade cristã. Quem contestará essa afirmativa?

O episódio do templo é mensagem de consolação, cântico de esperança, poema de amor fraterno, desvelando concepções estranhamente sublimes. A lição do óbolo da viúva revela, para os que tiverem olhos de ver, que o caminho do céu não depende do que temos, mas do que somos e do que fazemos. Recordar essa magnífica lição é manter acesa, em nossa alma, a convicção de que só o bem nos elevará, um dia, aos planos gloriosos da Imortalidade.

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Fonte: PERALVA SOBRINHO, José Martins; PERALVA, Basílio (Org.). Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito. Belo Horizonte: Vinha de Luz Editora, 2009. p. 113-114.
Nota da Editora: Reformador, março de 1959, p. 273-274. Reformador é uma revista de divulgação da Doutrina Espírita, editada mensalmente pela Federação Espírita Brasileira (FEB). É uma das mais antigas publicações de seu gênero, em circulação no Brasil (desde 1883, no formato original de jornal). Com a fundação da FEB, em 1884, o periódico foi por ela incorporado, passando a ser o seu principal órgão de divulgação, voltado para a difusão de artigos doutrinários, fatos e trabalhos desenvolvidos pela entidade, assim como pelas entidades afiliadas em todo o país. In: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Reformador>. Acesso em: 12 nov 2009.

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