32º Artigo de Martins Peralva

“Nem todos os que dizem Senhor! Senhor!...” — Jesus

Da Redação | 24/05/2021

Artigo. O Cidade Conecta preparou lançamentos, periódicos, de artigos do escritor, expositor e articulista José Martins Peralva Sobrinho, ou simplesmente Martins Peralva, como era conhecido. Ele, que foi um dos grandes representantes do movimento espírita no Brasil, escreveu os seguintes livros: “Estudando a mediunidade”, “Estudando o Evangelho”, “O Pensamento de Emmanuel”, “Mediunidade e evolução”, editados pela Federação Espírita Brasileira (FEB), e “Mensageiros do bem”, editado pela UEM.

Os artigos que publicados fazem parte do livro “Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito”. Trata-se uma coletânea de textos disponibilizados nos jornais “O Luzeiro”, periódico de sua terra natal, Sergipe, “Síntese” e “Estado de Minas”, ambos de Minas Gerais, e na revista “Reformador” da FEB. Geraldo Lemos Neto, responsável pelo Vinha de Luz — Serviço Editorial, foi quem coletou o material com a família Peralva, para que a comunidade espírita tivesse a oportunidade de conhecer mais de perto Martins Peralva.

Títulos

Abril | 1958

“Nem todos os que dizem Senhor! Senhor!…” — Jesus

Observa-se, pela advertência em epígrafe, que o Mestre pressentira que os homens iriam colocar, no futuro do Cristianismo, o problema da salvação em termos tais que a sua conquista estaria, facilmente, nas mãos daqueles que melhor e mais aparatosamente se rotulassem em nome desta ou daquela religião, ou que maior número de títulos e condecorações apresentassem. Poucos, entretanto, raciocinam que religião é, acima de tudo, sentimento. Assim sendo, os religiosos imprevidentes, pertencentes às diversas religiões, inclusive os espiritistas, serão inapelavelmente surpreendidos no mundo espiritual sempre que fizerem da religião meio apenas para o culto externo.

As ilusões nesse sentido, alimentadas pela nossa ignorância — aliada à vaidade e à preguiça —, dissipar-se-ão com a mesma facilidade com que se desfazem os castelos que as crianças costumam levantar na movediça areia das praias.

Não basta a proclamação de virtudes, quase sempre inexistentes, para que a felicidade e a paz, a renovação e o progresso se façam na Terra e no espaço. É indispensável a movimentação de recursos interiores, potencialmente colocados por Deus no santuário íntimo de cada um de nós.

O progresso espiritual, tanto quanto o material, exige sacrifícios. Assim como poderosos tratores rasgam o solo, abrindo caminho nas montanhas aparentemente inexpugnáveis, a fim de construírem estradas que levam o dinamismo do progresso às cidades distantes, tornando-as florescentes e ricas, do mesmo modo o bem, a cultura e a fraternidade simbolizam máquinas da evolução trazendo ao espírito eterno as luzes do crescimento. Servir a todos, ajudar sem ideia e recompensa, renovar-se interiormente, tudo isso constitui imperativo de ascensão para a alma humana.

Sofrer injustiças, afrontar calúnias, suportar a ironia em silêncio, representa, via de regra, o preço de nosso crescimento. Não basta, portanto, dizer: “Senhor! Senhor!”.

Quantas vezes o nome augusto do Mestre foi tomado por bandeira de perseguição e violência?

É por isso que Jesus afirma, sem rodeios: “Nem todos os que dizem ‘Senhor! Senhor!’ entrarão no reino dos céus, mas entrarão aqueles que fizerem a vontade do Pai que está nos céus”.

Jamais se perguntará aos religiosos, no plano espiritual, após a morte, a quantas sessões, cultos, ou missas assistiram, quantos livros e crônicas escreveram, quantas conferências pronunciaram!… Perguntar-se-lhes-á o que fizeram a benefício do próximo, quantas lágrimas enxugaram, a quantos corações aflitos levaram o perfume da esperança.

Seria efetivamente cômodo e gracioso se um simples título valesse por salvo-conduto ou galardão espiritual.

A vida, para ser bem vivida, cristãmente vivida, pede esclarecimento e trabalho. O Espiritismo não é doutrina vazia, inócua, onde se acomodem a preguiça e o orgulho. É bandeira de redenção que o Espírito de Verdade desfraldou no solo glorioso da França de Victor Hugo e Flammarion, quando se acendiam as primeiras luzes da segunda metade do século XIX.
 Destruindo ilusões e infantilidades, esclarece e encaminha as criaturas para o bem. De conteúdo divino e finalidades essencialmente educativas, aponta responsabilidades, acentua deveres, impõe obrigações. Ensina que não basta ao homem dizer “Senhor! Senhor!” para obtenção da felicidade, mas que será ele o artífice da própria elevação, construtor da própria felicidade, uma vez que os valores do espírito não se manifestam de fora para dentro, da periferia para o centro.

Assim sendo, a Doutrina Espírita põe abaixo a lei do menor esforço, desmoronando as ilusões que os espíritos preguiçosos costumam embalar, uma vez que realça o sentido das palavras de Jesus, quando afirma que nem todos os que dizem “Senhor! Senhor!” entrarão no reino dos céus.

Sob o impulso do Espiritismo, que se apoia no bom senso e na lógica, aglutinaremos, no curso dos milênios, as possibilidades intrínsecas que o Criador depositou em nosso mundo consciencial, elevando-nos, pelo esforço próprio e sob a égide de Jesus Cristo, às paragens de luz da imortalidade vitoriosa.

_________________
Fonte: PERALVA SOBRINHO, José Martins; PERALVA, Basílio (Org.). Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito. Belo Horizonte: Vinha de Luz Editora, 2009. p. 100-102.
Nota da Editora: Reformador, abril de 1958, p. 5. Reformador é uma revista de divulgação da Doutrina Espírita, editada mensalmente pela Federação Espírita Brasileira (FEB). É uma das mais antigas publicações de seu gênero, em circulação no Brasil (desde 1883, no formato original de jornal). Com a fundação da FEB, em 1884, o periódico foi por ela incorporado, passando a ser o seu principal órgão de divulgação, voltado para a difusão de artigos doutrinários, fatos e trabalhos desenvolvidos pela entidade, assim como pelas entidades afiliadas em todo o país. In: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Reformador>. Acesso em: 12 nov 2009.

Mais Notícias